domingo, 5 de abril de 2009


Fica-me a ideia de um café quente, enquanto decido ceder este espaço a uma escrita tão necessária , ainda que demorada. Musica bonita , roupa quente , noite lá fora ( ponho o som da chuva para acreditar que também esta me pode embalar , assim , a meu pedido, com toda esta facilidade) .
Há de haver um dia em que seremos felizes não é? Um dia em que o coração aprenda a renascer a cada pulsar , quando ao sentir todo o corpo cair num infinito de se ser realmente a essência de nós, ainda que com tudo isto possamos não ser ninguém e tanta gente no mundo , para o mundo. Em pequenino aprendi que há o Mundo , e dentro dele , há muitos outros , e que as pessoas só não sabem , que têm asas para todos eles ; bem dentro delas , de um lado a que só elas podem chegar, na alma e no seu pulsar eterno; a isso chama-se ser-se humano, e foi esse o objectivo que um rapazinho podia ter mais certeza : queria ser um ser humano , em todos os mundos e para todos os mundos; abrir as asas e mostrar aos outros que há mais gente capaz de sonhar e ser feliz, com toda a certeza que um rapazinho pode ter. Os olhos cresceram , as asas são agora o embalar sonâmbulo do rapazinho , que esqueceu os pés no chão , e voa nas pontas que não sabe fazer correctamente; os braços cresceram com o mundo , abriram-no ; ficou-lhe apenas o medo de cair. As palavras morreram-lhe nas mãos , quando caiu vezes demais , os joelhos esfolados e gente que nunca viu; assim se fez acreditar eterno , em que adormeceu a sorrir. Renasceu-lhe o coração , abriu os olhos , as pontas continuam tão erradas , a certeza de poder não cair surgiu quando fez chorar o corpo, e com as mãos deu-se ao mundo , num aconchego alma a alma, corpo a corpo , recomeço a recomeço. Um dia , soube que ser-se humano , em si , era apenas o sinónimo de ser vivo, ser actor. Fugiu-lhe a rebeldia para o palco , é lá feliz , encontrou o seu maior amor, a plenitude de voar , ao mostrar aos outros o quanto é fácil ser-se feliz, porque desistir doí sempre.
Diz-se actor , quando está prestes a adormecer , sente-lhe a mão num embalo, como se toda a vida pudesse retornar a ele , quando ao não-ver , se torna de novo no rapazinho tão pequenino. Que de certeza , só tem uma , ser humano , com todo o pulsar e existir que há em nós, ainda que em segredo seja um eterno menino-faz-de-conta, ainda que ninguém saiba ,
ainda que ninguém saiba... ( que o sonho é tão a sua verdade.)

- Pedro.

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